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Com trabalho integrado, CSA tem DM vazio em reta final de temporada e histórico mínimo de lesões

A brilhante campanha que faz o Azulão na Série B possui fatores determinantes para este sucesso, um deles é o trabalho integrado entre preparação física e os departamentos médico e de fisiologia. Com esse trabalho, CSA chega a reta final da temporada com nenhum jogador lesionado por problema muscular e um histórico de lesões de dar inveja a grandes clubes do mundo inteiro.

O segredo desse sucesso está no trabalho integrado entre a preparação física, comandada pelo preparador Leonardo Cupertino, auxiliado pela preparadora Manuela Vieira, o departamento de fisiologia, coordenado pelo fisiologista Cléber Queiroga, e o departamento médico, chefiado pelo Dr. Fábio Lima, ao lado dos médicos Ígor Castro e Caio Santos, e do fisioterapeuta Afonso Brasileiro, que contam ainda com os massagistas Dorge e Cosmo.

Contra o Sampaio Corrêa, na próxima rodada da competição, o time azulino completa sua 54ª partida na temporada e, atualmente, somente o goleiro Cajuru se recupera de lesão, um rompimento de LCA (ligamento cruzado anterior), trauma sofrido ainda no primeiro turno.

De acordo com dados analisados pela fisiologia do clube, em pouco mais de 300 dias de trabalhos, desde o primeiro dia da pré-temporada, até então, foram somente 18 lesões musculares contabilizadas, sendo dez de grau 1 (leve), oito de grau 2 (média proporção) e nenhuma de grau 3 (grave). O tempo médio de recuperação foi de 11,5 dias, o que representa um trabalho de excelência, tanto de prevenção quanto de recuperação de lesões.

Os dados são ainda mais impressionantes se analisada a média de idade do elenco azulino, que é de aproximadamente 30 anos, idade considerável para a analise do desempenho aeróbico e muscular de atletas de alto nível no futebol atual. Nos últimos dez jogos, desde a partida contra o Criciúma, até o jogo diante do Brasil de Pelotas (dados atualizados no dia 27 de outubro), a média de idade do time titular foi de 29,8 anos.

Nos dados coletados se analisam também o desempenho físico colhido pelos equipamentos de GPS utilizado pelos atletas durante os jogos. Nas últimas dez partidas, o time marujo percorreu uma distância média de 9,661 km por jogo, com mais de 254 ações de alta intensidade por partida, velocidade média de 6 km/h e velocidade máxima de 29,9 km/h, números considerados de alto nível de desempenho.

Todos esses dados analisados, somados a avaliações diárias feitas antes e depois dos treinamentos, foram cruzados ao longo do ano e ajudaram a desenvolver os métodos de trabalho individualizado em cada atleta, proporcionando assim o desempenho máximo de cada jogador, evitando lesões musculares e tirando o máximo da capacidade física de todos.

O técnico Marcelo Cabo, em diversas entrevistas coletivas que concedeu ao longo do ano, exaltou o trabalho desenvolvido pela integração dos departamentos, o que lhe permitiu quase sempre escalar o que tem de melhor em mãos e alcançar a máxima performance de seus atletas.

“O trabalho integrado é muito importante para que a gente tenha uma melhora de performance do atleta e possa otimizar esse desempenho para que ele possa render o melhor para a equipe. Diariamente eu encaixo meus trabalhos junto com os planejamentos definidos em conjunto com a preparação física e a fisiologia. Aliado a isso, o departamento médico antes e depois dos treinos e jogos faz um trabalho preventivo e curativo muito eficiente. Esse controle é vital para que o CSA chegue em novembro com DM vazio. Isso nos ajudou muito em toda a competição e na reta final vai ajudar ainda mais”, comemorou o treinador.

O diretor médico do clube, Dr. Fábio Lima, atribui a um conjunto de fatores o sucesso deste trabalho integrado.

“O que estamos vendo é fruto de um conjunto de fatores, desde a dedicação dos atletas, a programação da preparação física em conjunto com a fisiologia, até o trabalho desenvolvido pelos nossos fisioterapeutas e investimentos em tecnologia feitos pelo departamento médico junto a direção executiva. O que está acontecendo no CSA é algo raro no futebol, mas é um fato esperado por nós. O que estamos vendo é consequência de um trabalho planejado e executado”, comenta o médico.

Os investimentos em tecnologia citados pelo diretor médico foram feitos ainda no período da pré-temporada, como a aquisição de aparelhos de GPS, que coletam dados dos atletas em jogos e treinamentos; um aparelho medidor da enzima CK (creatinoquinase), com a função de analisar o nível de desgaste de cada atleta; modernização da academia no CT Gustavo Paiva, com novos equipamentos que ajudam no fortalecimento muscular e na prevenção e recuperação de lesões; além da aquisição de aparelhos para a fisioterapia e a reestruturação das instalações do departamento médico.

Tudo isso, aliado ao mapeamento do desempenho e desgaste dos atletas, e o trabalho ao lado da comissão técnica, foram essenciais, segundo o fisiologista Cléber Queiroga.

“Chegar ao final da temporada num nível de desgaste físico e emocional grande, disputando um acesso a Série A e com nenhum atleta no departamento médico tem uma representatividade muito grande. O feito só foi possível com todo o controle de treino realizado e mapeado, assim como nos jogos, além da relação próxima que temos com todos os atletas, que entenderam o trabalho e nos deram um feedback muito bom sobre o que desenvolvemos esse ano. Além de tudo, tivemos também uma comissão técnica que andou lado a lado com o departamento de fisiologia, o que foi de fundamental importância”, disse o fisiologista.

A preparação física também foi peça fundamental para o sucesso deste trabalho integrado. O preparador Leonardo Cupertino conta que a individualização das cargas de cada atleta foi primordial, além de outros detalhes observados durante todo o ano.

“A gente sempre acreditou que desenvolvendo o que planejamos chegaríamos na reta final preparados dessa forma. A metodologia de trabalho do professor Marcelo Cabo nos da muita liberdade para que a gente possa controlar as cargas junto a fisiologia e o departamento médico. A preparação física entra no fortalecimento da base dos atletas e foi crucial individualizar ao máximo as cargas diante das circunstancias dos jogos, as variáveis de cada atleta e a fase que o clube se encontra na temporada. Detalhes que só são possíveis com um trabalho em conjunto entre todos os departamentos: médico, fisiológico, físico e técnico”, explicou o preparador.

A compreensão do trabalho feito por todas as partes também foi importante ao longo da temporada, como aponta o fisioterapeuta Afonso Brasileiro.

“O mérito é de toda equipe multidisciplinar, dos médicos e da fisioterapia tanto na parte preventiva quanto na parte curativa, da fisiologia e todas as análises que são feitas sobre o stress muscular, da preparação física que sempre determina a carga do trabalho em equilíbrio, sem “errar a mão”, e da parte técnica, da comissão que sempre entende e acata a opinião da equipe que as vezes precisa tirar um jogador do treino ou de um jogo para evitar problemas. Ou seja, é um somatório de todas as coisas para que a parte preventiva dê certo e evite lesões de fato”, ressaltou o fisioterapeuta.

A perspectiva é que em 2019 este trabalho seja ainda melhor, com a modernização do CT Gustavo Paiva, prevista para ser iniciada ao final de novembro, e o investimento ainda maior em tecnologia, que chega para auxiliar o trabalho de todas as partes.

Um timaço dentro de campo só consegue desempenhar o seu melhor futebol e alcançar os resultados positivos com o trabalho desse timaço bem entrosado fora das quatro linhas.


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